sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

CINQUENTA TONS DE CINZA




Christian Grey (Jamie Doman) é um jovem milionário que consegue e tem tudo o que quer .  Seu próximo alvo é a ingênua estudante Anastasia (Dakota Johnson).  Grey curte sadomasoquismo e Anastasia ainda é virgem.  O desafio é fazer a jovem inexperiente topar participar de seus jogos sexuais.  Ela cede mas Grey também é obrigado a abrir mão de alguns de seus dogmas pela primeira vez na vida.

O filme exagera  em algumas situações (de virgem e ingênua a jovem rapidamente se transforma numa devassa na cama, Grey é excessivamente jovem pra ser tão bem sucedido etc).  Não chega a ser ruim como a crítica especializada diz, mas me passa a impressão que é mais recomendado para quem leu o livro e curtiu.  Minha esposa leu, gostou e disse que o filme é extremamente fiel ao livro.  A cena final, segundo ela, é fidelíssima ao livro, no entanto o final me pareceu abrupto.  Um detalhe:  não contei mas tive impressão que 70% dos espectadores eram mulheres.  

Dirigido por Sam Taylor-Johnson.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

PARA SAIR DA CAMA

Chega a um ponto em que você precisa ter uma razão muito forte para sair da cama de manhã. Né, não? Um motivo sério, imperativo, irrecusável para se levantar, escovar os dentes, tomar banho, se vestir e sair para a vida em vez de ficar na cama o dia inteiro. Essas razões são cada vez mais escassas. E precisam ser hierarquizadas e colocadas numa perspectiva.

Razão nº 1 para sair da cama de manhã: mudar o mundo. Difícil. Sua capacidade para regenerar a humanidade e salvar o planeta da autodestruição é zero. Mesmo se acordasse com superpoderes e, depois de se certificar que sua sensação de onipotência não era efeito da ressaca da noite anterior, saísse para a tarefa de acabar com a insensatez humana e as barbaridades no mundo, não saberia por onde começar. Dizem que o próprio Super-homem disse “cansei”, desistiu de combater o mal e hoje vive de levar crianças para voar num parque de diversões. Ou então fica na cama o dia inteiro.

Outra razão para sair da cama de manhã: trabalhar. Uma razão nobre. Ganhar a vida honestamente. Garantir meu sustento sem explorar ninguém e garantir o uísque das crianças. Mas já trabalhei demais. As crianças estão encaminhadas na vida. Não me pedem mais dinheiro. Ou me pedem e eu finjo que não ouço, o que é a mesma coisa. O tipo de trabalho que eu faço, na tabela das atividades que afetam a vida e o conhecimento das pessoas, está em 65º lugar, logo depois de empalhador de marmotas. Se eu ficasse o resto da vida na cama, sem trabalhar, ninguém iria notar a diferença.

Razão nº 3 para sair da cama: a perspectiva de um bom café da manhã. Mas um bom café da manhã pode ser servido na cama. O único problema seria convencer sua mulher que você acordou paralisado e precisa do iogurte na boca – todos os dias!

Outra razão para sair da cama: dar o exemplo. O que diriam os outros cidadãos de um homem ainda razoavelmente saudável e ambulante que prefere ficar na cama o dia inteiro? O que diriam a mulher, os filhos, os vizinhos, a posteridade? Meu legado seria o de alguém que concluiu que nada vale a pena e tudo é inútil, começando por sair da cama. Minha postura seria a de uma estátua simbolizando uma revolta contra a morte e o absurdo da existência, só que na horizontal. Meu legado seria de preguiça, certo, mas de uma preguiça com fundo filosófico.

A última e decisiva razão para sair da cama de manhã: você precisa fazer xixi. Não tem jeito: você sai da cama.

Luis Fernando Veríssimo