domingo, 29 de março de 2015

sexta-feira, 20 de março de 2015

ELEVADOR

Éramos seis pessoas presas num pequeno espaço, cada uma pensando no pior que poderia acontecer. Não conseguiriam abrir a porta pelo lado de fora

A placa dizia que a ocupação máxima do elevador era de seis pessoas. Entramos eu e mais cinco. Ninguém particularmente gordo, descontando-se, talvez, a minha barriga, mas que também, modestamente, não pesaria como uma sétima pessoa. E o elevador não andou. Elevador mentiroso, pensei. Não se pode acreditar mais nem em placas de segurança.

O elevador não só não subia, como sua porta não se abria. E não só a porta não se abria, como a luz no interior do elevador se apagou. Mesmo se quiséssemos acionar um dos botões do painel, não os enxergaríamos. Éramos seis pessoas presas num pequeno espaço, cada uma pensando no pior que poderia acontecer. Não conseguiriam abrir a porta pelo lado de fora. Ficaríamos ali horas, talvez dias, no escuro, apertados. Ninguém poderia sentar-se no chão do elevador sem roubar espaço de outro. Se alguém desmaiasse, teria que ficar desmaiado em pé. Alguém fatalmente sugeriria maneiras de se passar o tempo até que viesse o socorro. Poderíamos cantar. Contar anedotas. Cada um contar a história da sua vida. Ou talvez fosse melhor ficar em silêncio, para poupar oxigênio. Por onde entraria ar no elevador? E se não entrasse? Por quanto tempo aguentaríamos até recorrer ao canibalismo?

Imaginei uma voz soturna no meio da escuridão dizendo:

— Um de nós é o culpado.

— O quê?

— O elevador se recusou a carregar um de nós.

Eu tinha chamado o elevador de mentiroso em pensamento. Seria eu o culpado?

— Como “se recusou a carregar”? — perguntaria alguém.

— Os elevadores não carregam mais qualquer um. Escolhem quem vão carregar. É a rebelião das máquinas. Elas estão tomando conta. Os celulares já aprisionaram a mente humana. Ninguém mais se comunica a não ser por celulares, que vivem falhando e nos levarão à loucura. Não demora, os eletrodomésticos atacarão em massa. Elevadores que escolhem quem carregar não parece tão absurdo em meio a esta derrocada final. Morreremos todos porque o elevador implicou com um só. Morreremos todos!

No fim, o incidente levou apenas alguns minutos. Voltou a luz do elevador e a porta foi aberta por fora. O grupo de seis foi dividido em dois de três e o elevador obedeceu a todos os comandos sem problema, e subiu humildemente.

Ou talvez estivesse apenas disfarçando...

Luis Fernando Veríssimo

PLACAS E AVISOS CURIOSOS (PARTE 2)






Parte 1 aqui

domingo, 15 de março de 2015

15 DE MARÇO - OS GOLPISTAS E IGNORANTES VÃO À RUA







E SE?

Luis Fernando Veríssimo

“Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução”, escreveu o Drummond. “Se” é sempre o começo de uma especulação inútil: o que poderia ter acontecido e não aconteceu. Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, minha vida não seria muito diferente. Já se, em vez de Verissimo, eu me chamasse Rockefeller, seria.

O que vem depois de um “se” é um mundo imaginário, em que cabem todas as fantasias. E se o governo João Goulart não tivesse sido derrubado e fizesse as reformas que pretendia fazer? E se o golpe de 64 tivesse fracassado? Mesmo como mera especulação, esta alternativa deve horrorizar quem nunca duvidou que o golpe impediu que o Brasil se transformasse numa republica anarco-sindicalista, para usar os termos da época, e uma grande Cuba. Para outros, um fracasso do golpe teria nos poupado de 20 anos de ditadura e as reformas pregadas pelo governo e combatidas pela direita teriam beneficiado o país sem ameaçar a democracia. Fantasias à vontade.

Mesmo as especulações mais quiméricas precisam dar atenção a um mínimo de realismo. Até fantasia tem limite. Sessenta e quatro aconteceu num contexto de Guerra Fria, quando a doutrina de segurança continental, de contenção do comunismo ou de qualquer coisa parecida dominava a relação dos Estados Unidos com as Américas. E se o golpe de 64 tivesse fracassado, uma intervenção americana — ou no mínimo um porta-aviãozinho americano posto à vista para assustar os nativos — seria inevitável. Ou não seria? Outra vez, especulações, especulações.

O treinamento de militares brasileiros por militares americanos na famigerada Escola das Américas, onde se ensinava, inclusive, técnicas de tortura, começou antes do golpe. Antecedeu 64, e não seria demais especular que preconizou 64. Neste contexto, a probabilidade de uma resistência ao golpe e uma vitória dos legalistas contra os golpistas simplesmente não existiu. Falava-se muito, na época, de um tal esquema militar do Jango, que estaria pronto a enfrentar e derrotar os militares rebelados. O esquema militar do Jango virou uma piada. A vitória do golpe já estava assegurada antes de um tanque dos sublevados se mexer. Estava no currículo da Escola das Américas antes de acontecer.

O golpismo contemporâneo está distante do golpismo de 64 não só no tempo. Seu contexto é completamente diferente. Ou será que, 51 anos depois, é a mesma guerra com outras caras? Matéria para muitas especulações.

sexta-feira, 13 de março de 2015

BOB ESPONJA - UM HERÓI FORA D'ÁGUA




A fórmula do hambúrguer de siri do Siri Cascudo desapareceu misteriosamente (e não foi o Plankton!) e Bob Esponja, Patrick, Sandy, Seu Siriguejo, Plankton e Lula Molusco precisam deixar a Fenda do Bikini e vir à superfície procurá-la.

O desenho mantém a boa qualidade da série televisiva, com boas piadas e momentos divertidos. Um senão é que o trailler passa a impressão errada que os personagens estão a maior parte do tempo em nosso mundo, quando na verdade é só no final.

Dirigido por Paul Tibbitt.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O PANELAÇO DA BARRIGA CHEIA E DO ÓDIO


Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.

Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.

 O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.

 Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.

 Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.

 Como eu sou.

 Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
 Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. 
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. 
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. 
Não é preocupação ou medo. É ódio. 
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. 
Continuou defendendo os pobres contra os ricos. 
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. 
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. 
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. 
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. 
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país. 
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.
E sem corrupção, é claro!
fonte: Blog do Juca

quarta-feira, 4 de março de 2015

O QUE É O CAXANGÁ, QUE OS ESCRAVOS DE JÓ JOGAVAM?

Caxangá tem vários significados, mas nada de jogo. Pode ser um crustáceo (parecido com um siri), um chapéu usado por marinheiros, e há até uma definição indígena: segundo o Dicionário Tupi-Guarani-Português, de Francisco da Silveira Bueno, caxangá vem de caá-çangá, que significa "mata extensa". Mas nada disso tem a ver com jogo e menos ainda com Jó, o personagem bíblico que perdeu tudo o que tinha (inclusive os escravos), menos a fé. Isso deixa os especialistas intrigados.

"Já procurei caxangá, caxengá e caxingá, com ‘x’ e ‘ch’, e não encontrei nada que fizesse sentido como um jogo", diz o etimologista Cláudio Moreno. "Se esse jogo existisse, seria quase impossível explicar como ele passou despercebido por todos os antropólogos e etnólogos que estudam nossas tradições populares."

O que pode ter ocorrido é uma espécie de "telefone sem fio": se originalmente o verso fosse "juntavam caxangá" ao invés de "jogavam", poderíamos pensar em escravos pegando siris em vez de em um jogo. Outra hipótese é que caxangá seja uma expressão sem sentido, como "a tonga da mironga do kabuletê", da canção de Toquinho e Vinícius - as palavras separadas até têm sentido (são vocábulos africanos), mas não com o significado que elas têm na música.

fonte: Mundo Estranho

terça-feira, 3 de março de 2015

AS MENTIRAS ESPALHADAS NA WEB SOBRE O AUXÍLIO-RECLUSÃO

fonte: Pragmatismo Político

Mentiras espalhadas nas redes sociais sobre o auxílio-reclusão (Imagem: Pragmatismo Político)


Está em curso nas redes sociais, principalmente por meio de correntes no Whatsapp, uma campanha pelo fim do auxílio-reclusão, um benefício previsto em lei desde 1991. De forma odiosa e repleta de desinformação, a campanha convoca a população a reivindicar a suspensão deste direito sob a alegação de que o Estado estaria beneficiando o “criminoso” em detrimento da “vítima”. Entre outras falácias, chega-se a afirmar que o valor é pago diretamente ao criminoso ou ainda que o benefício multiplica-se de acordo com o número de filhos do preso ou da presa.

Essas inverdades, além de já serem facilmente abraçadas pelo senso comum devido aos preceitos morais entre “bem” e “mal” que carregam, representam um risco ainda maior de disseminação quando acatadas por parlamentares, que, de forma ideológica, se apropriam da sensibilidade do tema para impor uma agenda política que vai contra direitos.

A deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), por exemplo, apresentou uma Projeto de Emenda Constitucional – que aguarda votação na Câmara dos Deputados – em agosto de 2013 propondo o fim do auxílio sob a justificativa de que “é mais justo amparar a família da vítima do que a família do criminoso”, omitindo tudo o que, de fato, gira em torno do benefício.

A discussão e as campanhas de ódio contra o auxílio-reclusão voltam à tona agora principalmente por conta da enquete lançada recentemente no site da Câmara dos Deputados que pede o voto da população pelo fim do auxílio com base na proposta da deputada. Omitindo, de fato, como funciona o benefício e apenas utilizando o argumento moral do “bandido” e “vítima”, a enquete já conta com mais de 1 milhão e meio de votos, sendo 95,5% deles favoráveis ao fim do direito.

Não, não sai do seu bolso
Um dos primeiros pontos sobre o auxílio que deve ser salientado é que não se trata de uma assistência, e sim de um benefício previdenciário, mais ou menos nos mesmos moldes de uma pensão por morte. Ou seja, os impostos pagos pelos demais cidadãos não são utilizados, em nenhuma hipótese, para pagar benefícios a internos ou internas do sistema prisional.

O valor que a família recebe está condicionado à contribuição do preso ou da presa ao INSS, sendo que a família do beneficiário tem que ser de baixa renda, com teto de auxílio de R$ 1.089. Como o cálculo é feito com base na média de todos os salários do preso ou da presa, o valor do benefício, na maior parte dos casos, não passa de um salário mínimo.

O fato do benefício estar associado ao INSS explica por si só a sua razão de existir, como qualquer outro direito ligado à questão previdenciária.

A ideia é ajudar a família a se manter a partir do princípio do infortúnio. Quando você paga a previdência social é por seguridade, você paga para quando não puder prover o sustento, receber. E é isso que acontece, quando a pessoa vai presa e não tem condições de sustentar a família os dependentes passam a receber”, explica o advogado Anderson Lobo da Fonseca, que é pesquisador do programa Justiça Sem Muros do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC).

Menos de 10% de toda a população carcerária é beneficiária
Atualmente o sistema carcerário brasileiro é composto por, aproximadamente, 581 mil pessoas. Destas, por conta das restrições apresentadas e das burocracias para conseguir estar nas condições, apenas 55 mil recebem o auxílio. Ou seja, 8% do total.

É importante destacar que no sistema penal, sendo seletivo como é hoje, muitos presos acabam não tendo condição de segurados. Trata-se de uma minoria que recebe. A maior parte é composta de jovens, pobres, negros e favelados que sequer tiveram um emprego para contribuir com a previdência”, destaca Paulo Malvezzi, advogado e consultor jurídico da Pastoral Carcerária.

O advogado Anderson Lobo, do ITTC, ainda ressalta outro dado que desconstrói a tamanha grita do “eu que tô pagando”.

Se você pegar no orçamento de benefícios do INSS, o que é destinado ao auxílio-reclusão representa menos de 0,1% do total. [Acabar com o auxílio] é uma proposta puramente ideológica”, analisa.

As primeiras vítimas: as mulheres
Um dado que chama a atenção é que, como se já não bastasse o fato de que menos de 10% da população carcerária recebe o auxílio, há um fator considerável da questão de gênero. Dessa minoria presa e que tem direito ao auxílio, ao contrário do que prega o senso comum, é composta por mulheres.

Apesar de representarem apenas 7% da de todo o sistema prisional, 64% dos benefícios do auxílio-reclusão são pagos às famílias de mulheres presas, de acordo com dados do Departamento de Execução Penal (DEPEN) levantados em 2012.

A questão de gênero é ocultada nesse discurso, primeiramente por falar no trabalho e no crime a partir de figuras masculinas: o homem trabalha, o homem vai preso, a mulher fica em casa desamparada. As mulheres são responsabilizadas pelo cuidado doméstico e familiar, tanto na situação de um parente preso como quando elas mesmas estão em situação de prisão. Não se enxerga que a mulher também trabalha, fora e dentro do espaço doméstico, e que o benefício do auxílio-reclusão não tem como sujeito principal o homem preso, mas essa mulher, e seus familiares”, explica o advogado Anderson Lobo em artigo sobre o tema.

De acordo com levantamento feito pelo ITTC, 70% dessas beneficiárias são mulheres solteiras que têm filhos, que acabam ficando na dependência das mães dessas mulheres. O fim do auxílio-reclusão faria com que os filhos, desamparados, deixassem de receber esses valores e ficassem, ainda mais suscetíveis à vulnerabilidade e, consequentemente, ao crime.

Não é só no Brasil
Para quem pensa que benefício pago às famílias de presos ou presas seja como uma jabuticaba, que só dá no Brasil, está enganado. Apesar de não funcionar nos mesmos moldes, diversos países ao redor do mundo mantêm certos tipos de auxílios e bolsas para os dependentes do interno ou da interna do sistema prisional.
Na Inglaterra, por exemplo, a família que é dependente financeira de algum preso ou presa tem direito a uma série de benefícios e subsídios para sobreviver, sendo que, diferentemente do Brasil, lá os custos são subsidiados pelo Estado, e não pelo equivalente à contribuição previdenciária.

Caso o dependente tenha filhos do preso ou da presa, por exemplo, este tem direito ao Child Benefit, em português, abono de família.

O que ganhamos com isso?
Tendo em vista que o auxílio-reclusão não é pago pelo contribuinte, mas sim pelo próprio trabalhador, que o teto do benefício não costuma a passar de um salário mínimo, que o valor não é multiplicado pelo número de filhos, que menos de 10% da população carcerária conta com os valores, que a maioria dos beneficiários é composta por mulheres, que o valor é pago para famílias dependentes de um preso ou uma presa que estão em situação de vulnerabilidade, fica a pergunta: quem ganha e quem perde com um suposto fim do direito constitucional?

Paulo Malvezzi, da Pastoral Carcerária, responde:

Há uma questão política. O fim desse auxílio significa um retrocesso dos direitos previdenciários e trabalhistas, por que a pessoa contribuiu. O fim do benefício não auxilia em nada para que o preso retorne a sociedade de uma forma minimamente viável para se integrar a ela. Se ele tem uma família destruída, sem recursos, como trazê-lo de volta à cidadania? A família é essencial no processo de recuperação. O fim desse auxílio não trás qualquer benefício, tanto para sociedade quando para as pessoas presas. É um pseudo-discurso”.

O auxílio-reclusão, por hora, ainda existe, ainda que acompanhado da alcunha de ódio que circula pelas redes disseminando as mentiras da já conhecida e moralista “Bolsa Bandido”.