quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A BURRICE NA PRESIDÊNCIA

copiei do Esquerda Caviar

Os presidentes brasileiros com fama de burros sempre foram militares. O primeiro foi Hermes da Fonseca, tido como um sargentão sem luzes, talvez por culpa de um duplo contraste - seu adversário na eleição foi Rui Barbosa, considerado na época "o brasileiro mais inteligente de todos os tempos"; e ele se casou, em meio ao mandato, com Nair de Teffé, uma intelectual e feminista avant la lettre.

Depois tivemos Eurico Gaspar Dutra. Para ele a fama de burro ficou barata. É melhor ter dilapidado as reservas cambiais que o Brasil obteve durante a guerra por burrice do que por entreguismo.

Embora as piadas sejam recicladas de presidente para presidente, tem uma que é exclusiva do Dutra. O presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, teria encontrado seu colega brasileiro e cumprimentado cordialmente: "How do you do, Dutra?" Ao que ele respondeu na mesma hora: "How tru you tru, Truman?"

O terceiro foi João Figueiredo, que a ditadura militar tentou vender como cavalariano honesto e sem papas na língua, mas que ganhou fama como bronco, autor de frases como "prefiro o cheiro de cavalo ao cheiro de povo" ou "quem for contra a abertura [política], eu prendo e arrebento".

Pois agora temos um civil nessa lista. Michel Temer é, de todos os presidentes brasileitos, o mais inepto mentalmente. Seu discurso na ONU mostra isso. Muitas palavras e nenhuma ideia. Só platitudes, frases feitas. O objetivo claramente era apenas pavonear-se por estar ali, abrindo a Assembleia Geral, uma posição que jamais seria sua por direito.


Mais até do que burrice, a falta de qualquer ambição de participar de um debate de ideias mostra a estreiteza de horizontes do usurpador. Temer dirigiu-se ao mundo como se estivesse numa reunião do diretório do PMDB.

OS CANDIDATOS DA DIREITA ESTÃO NA RUA


FIM DA PARALIMPÍADA


sábado, 17 de setembro de 2016

MARISA MONTE - ENSABOA

É PRA CHORAR, NÃO PRA RIR


Agora que já esgotamos nosso estoque de piadas sobre o episódio surrealista protagonizado pelos promotores da Operação Livra Rato, devemos começar a nos preocupar. Ao iniciarem sua explanação reconhecendo que não podem provar nenhuma das acusações que fazem ao ex-presidente Lula, eles deixaram claro  mais uma vez que vivemos num estado de exceção, uma ditadura do Poder Judiciário.

O canhestro esquema de power point que nos fez rir inicialmente é mais um tapa que os togados dão no rosto da sociedade. Como uma peça de acusação tão insustentável pode ganhar as manchetes dos jornais e servir de munição aos histéricos que insistem em demonizar aquele que foi o presidente mais popular da História do Brasil? Onde estão as contas de Lula no exterior (as de Cunha todos sabemos)? Quem são seus laranjas? Cadê as gravações comprometedoras, os e-mails indecentes? Nada. Os homens da lei vasculharam, vasculharam e só têm fofocas e achismos a nos apresentar.

E o Brasil parou para assistir nas redes de TV uma enxurrada de pseudo-denúncias calcadas em fofoca de portaria. O porteiro disse que o triplex é do "homem". O garagista confirmou que ouviu falar. O jornalista entrou na fofoca e garantiu uma manchete.

Pobre Brasil...


Em nenhum país do mundo uma acusação sem provas se sustenta, a menos que trate-se de um estado totalitário. O ônus da prova sempre coube a quem acusa mas no Brasil o acusado é que tem que se virar para provar que é inocente. E, desta vez, nem com o ônus da prova o acusador quis arcar. Bastou-lhe dizer que tem convicção de que Lula agiu ilicitamente. Servirá a "convicção" de um promotor pernóstico para colocar um ex-presidente da República na cadeia ou tirá-lo do próximo processo eleitoral? No Brasil de hoje, depois de tudo que vem acontecendo, depois das pedaladas inventadas, depois do Gilmar, do Moro, do Batman, do Alexandre Frota, do Reinaldo Merval de Azevedo, do Kim Katacoquinho, do Temer, do Bolsonaro e do Bolsonarinho, não se pode duvidar mais de nenhum absurdo.

domingo, 4 de setembro de 2016

A IGNORÂNCIA DA MAIORIA DOS BRASILEIROS É CONSEQUÊNCIA DO OLIGOPÓLIO DA MÍDIA DE MASSA



É bem comum encontrar verdadeiras aberrações nos comentários da internet bem como pelas ruas, cidadãos a partir dos 12 anos afirmando coisas fora realidade, amigos, colegas e familiares chegam ao ponto de a agredir seus próximos por razões ideológicas ou preconceituosas.

Essa ignorância é aliada a uma intolerância que abrange vários aspectos da vida social, tais como, religião, sexualidade, cultura, política e pasmem até musical. Há uma ideologia predominante na sociedade que é imposta pela classe dominante que usa a mídia de massa como porta voz de seus anseios e atinge a todos na sociedade.

Essa ignorância chega ao ponto de fazer com que alguns grupos lutem contra seus direitos enquanto, cidadãos, estudantes e trabalhadores, é bizarro o que se vê no Brasil, cidadãos que dependem exclusivamente de políticas públicas para estudar e dependem dos seus salários para sobreviver, levantarem bandeiras enfurecidos que comprometem ambos.

A única explicação para essa situação é a completa ignorância em relação ao seu status social, essa ausência total de percepção de sua condição é o triunfo da mídia de massa que trabalha exaustivamente para deixar os brasileiros alheios a sua condição e os colocarem em defesa da manutenção dos privilégio de uma minoria.


Enquanto não for quebrado esse oligopólio da mídia brasileira, não haverá governo que se sustente e não seja refém desses grupos que são donos da opinião pública e são o 1º poder, acima do executivo, legislativo e judiciário.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

BRASIL 2016. FUDEU TUDO!


A CENA PROIBIDA PARA MENORES NO FILME AQUARIUS

fonte: GGN


A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL


NENHUM GOLPISTA JÁ ADMITIU SER GOLPISTA


Em inúmeras vezes, nas sessões do impeachment que presidiu, o ministro Ricardo Lewandowski disse ao plenário, com pequenas variações de forma: “Neste julgamento, os senadores e senadoras são juízes, estão julgando”. Entre os 81 juízes, mais de 70 declaravam o seu voto há semanas, e o confirmaram na prática. Um princípio clássico do direito, porém, dá como vicioso e sujeito à invalidação o julgamento de juiz que assuma posição antecipada sobre a acusação a ser julgada. O que houve no hospício –assim o Senado foi identificado por seu presidente, Renan Calheiros– não foi um julgamento.

Os que negam o golpe o fazem como todos os seus antecessores em todos os tempos: nenhum golpista admitiu ser participante ou apoiador de um golpe. Desde o seu primeiro momento e ainda pelos seus remanescentes, o golpe de 1964, por exemplo, foi chamado por seus adeptos de “Revolução Democrática de 64”. Alguns, com certo pudor, às vezes disseram ser uma revolução preventiva. É o que faz agora, esquerdista extremado naquele tempo, o deputado José Aníbal, do PSDB, sobre a derrubada de Dilma: “É a democracia se protegendo”. Dentre os possíveis exemplos pessoais, talvez nenhum iguale Carlos Lacerda, que dedicou a maior parte da vida ao golpismo, mas não deixou de reagir com fúria se chamado de golpista.

As perícias e as evidências negaram fundamento nas duas acusações utilizadas para o processo do impeachment de Dilma. As negações foram ignoradas no Senado, em escancarada distorção do processo. Para disfarçar essa violência, foi propagada a ideia de que a maioria dos senadores apoiaria o impeachment levada pelo “conjunto da obra” de Dilma: a crise econômica, as dificuldades da indústria, o aumento do desemprego, o deficit fiscal, a suspensão de obras públicas, as dificuldades financeiras dos Estados e outros itens citados no Congresso e na imprensa.

Se os deputados e senadores se preocupassem mesmo com esses temas do “conjunto da obra”, teríamos o Congresso que desejamos. E os jornais, a TV e os seus jornalistas estariam sempre mentindo com suas críticas, como normal geral e diária, sobre a realidade da política e dos políticos.

Nem as tais pedaladas e os créditos suplementares, desmoralizados por perícias e evidências, nem o “conjunto da obra”, cujos temas não figuram nos interesses da maioria absoluta dos parlamentares, deram base para acusações respeitáveis em um processo e um julgamento. Se, no entanto, envoltos por sofismas e manipulações, serviram para derrubar uma presidente, houve um processo, um julgamento e uma acusação ilegítimos –um golpe parlamentar. Os que o efetivaram ou apoiaram podem chamá-lo como quiserem, mas foi apenas isto e seu nome verdadeiro é só este: golpe.

Esse desastre institucional contém, apesar de tudo, um ponto positivo. A conduta dos militares das três Forças, durante toda a crise até aqui, foi invejavelmente perfeita. Do ponto de vista formal e como participação no esforço democratizante que civis da política e do empresariado estão interrompendo.


O pronunciamento de ex-presidente feito por Dilma corresponde à aspiração de grande parte do país. Mas a tarefa implícita no seu “até daqui a pouco” exigiria, em princípio, mais do que as condições atuais da nova oposição podem oferecer-lhe, no seu esfacelamento. À vista do que são Michel Temer e os seus principais coadjuvantes, não cabem dúvidas de que os oposicionistas podem esperar muita contribuição do governo. Mas o dispositivo de apoio à situação conquistada será, a partir da Lava Jato, de meios de comunicação e do capital proveniente de empresários, uma barreira sem cuidado com limites.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

MEMPHIS SLIM & CANNED HEAT - WHIZZLE WHAM

GIRA MONDO, GIRA

Texto de Flávio Gomes

Nasci em 15 de julho de 1964. Portanto, depois do golpe que instalou a ditadura militar no Brasil. Vivi, na adolescência, a distensão iniciada por Geisel. Na juventude, o fim do regime, a luta pelas Diretas, a morte de Tancredo, os anos Sarney, a eleição e a deposição de Collor, a dignidade de Itamar, a farra privatista de FHC, a chegada dos trabalhadores ao poder.

Vivi, desde o início de 2003, num país melhor, num lugar em que pela primeira vez o andar de cima olhou para baixo.

Isso tudo acabou neste 31 de agosto cinzento e deprimente. É nisso que o Brasil se transformou: num país cinzento e deprimente. E, aos 52 anos de idade, vivi algo que jamais imaginei que poderia viver. Um golpe de Estado que derrubou uma presidenta honrada e eleita democraticamente.

Um país que apontou a proa para a modernidade, para buscar a redução da desigualdade, para atender às minorias, para oferecer oportunidades a quem nunca teve, mudou de rumo.

A direção é a pior possível. Perceber que o Brasil voltou às mãos de quem sempre se valeu da miséria alheia para enriquecer e subjugar os mais frágeis é algo que entristece profundamente aqueles que têm algum caráter humanista e solidário.

Tristeza talvez seja a única palavra que defina o que sinto agora. Meus filhos estão prestes a entrar na sua vida adulta num país que guinou violentamente para o conservadorismo, que sucumbiu ao poder de uma elite econômica, midiática, industrial e jurídica, elite que nunca engoliu um retirante operário como seu presidente. E que não pensou duas vezes para sabotar um projeto de país não combina com suas ambições e sua ganância desmedida.

Dias horríveis vêm pela frente. Os últimos dois anos serviram para revelar personalidades, trouxeram à tona uma clara divisão de pensamentos e visões de mundo.

Me decepcionei amargamente com amigos, colegas e parentes. E com centenas, milhares de desconhecidos. Saber, com nitidez, que pertencemos a lados tão distintos é algo doloroso. Não me refiro, aqui, a ideologias ou preferências partidárias. Seria reducionista pensar desse jeito.

Trata-se, sim, de escolher com quem ficar. Com quem alimenta o ódio de classe, exerce o preconceito e a misoginia, perpetra o desprezo, perpetua a ignorância, pratica o obscurantismo?

Jamais. Jamais.

Olhem para os lados. Vejam quem se decidiu por qual lado neste embate escancarado. Observem bem aqueles que discursam raivosamente contra aquilo que se fez no Brasil nos últimos 13 anos. Reparem na ira, no rancor, na fúria, na agressividade das palavras, das atitudes, do olhar.

As feridas abertas nos últimos meses não vão ser fechadas tão logo.

Este país se tornou um péssimo lugar para viver. Talvez tenha sido pior, em passado já levemente remoto. Mas de alguma forma, em algum momento, tivemos a impressão de que uma flor poderia brotar deste solo árido e lanhado. O sangue de muita gente precisou verter para que chegássemos a algo próximo de uma nação digna e decente.


Receio que tenha sido inútil. Porque aqueles que tinham inventado a tristeza, em vez de desinventar, reinventaram.

IMPEACHMENT À BRASILEIRA